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Post 19 - Evangélicos e católicos fazem passeata no Senado contra projeto que beneficia gays

26/06/2008

E a multidão de 1500 evangélicos e católicos que fizeram protestos no Senado em Brasília ontem contra o projeto que criminaliza a homofobia? Meu Deus do céu...os argumentos dessas pessoas são patéticos. Confrontado com os dados de uma pesquisa feita por um órgão do próprio Senado mostrando que 70% da população brasileira apóia o projeto, um líder religioso limitou-se a dizer que a pesquisa “é mentira” e que “as pessoas não sabem de nada disso”. E o tal senador Magno Malta dizendo que a lei cria um “império homossexual”? Nas fotos da manifestação, vê-se um cartaz dizendo “A Bíblia é homofóbica? E Agora vão rasgar a Bíblia?”. Deus, dai-me paciência. Já debati o assunto com vários evangélicos e católicos que conheci ao longo da vida e TODOS eles, grande parte mulheres, fica absolutamente petrificada e sem reação com o seguinte argumento: a Bíblia tem mais passagens falando contra a mulher do que contra o gay. Coisas que vc simplesmente não acredita que está lendo. E há milhares de outros absurdos, não só sobre a mulher. Descobri um site ótimo que cita tudo isso. A frase de abertura dele resume o objetivo do trabalho: "Chamar a Bíblia de livro santo ou de guia moral é uma afronta à decência e a dignidade. Pretender que ela seja a verdade absoluta é subestimar o intelecto humano". Veja o site aqui.


Veja também a matéria do Globo sobre a manifestação no Senado, aqui.


Eu ia comentar outros temas nesse post, mas vou deixá-los pra depois. Pq qualquer outro assunto parecerá menos importante nesse momento.


Vem cá, o Brasil não é mais um Estado laico?


Eu realmente não tenho mais paciência pra lidar com gente que tem argumentos como esses, altamente questionáveis. Espero que Deus me dê mais alguma, pq a que eu tinha já foi. Como vcs lidam com esses afrontas e esses desrespeitos?

Meu amigo Cláudio tinha uma empregada evangélica que, sabendo que ele era gay, começou a querer doutriná-lo. Disse que “sonhou que ele estava levando uma vida muito feliz, ao lado de uma mulher.” E disse que isso era a coisa certa. Nossa, eu não sei nem como reagiria.

Um outro amigo, Jaime, trabalhou numa loja com uma evangélica que não gostava nem de encostar nele sem querer. Muito menos de conversar qualquer coisa com o cara. O que fazer com uma garota dessas, alguém me dá uma luz por favor?

Também nesse meio tempo, finalmente assisti ao filme gay “The Bubble”. Detestei aquele final, confesso que fiquei com raiva da fraqueza e da covardia daquele personagem. (eu não vou contar o que ele faz no fim do filme pra não estragar a surpresa de ninguém. Mas vale o aluguel; felizmente o filme já está disponível em DVD no Brasil.). Eu sei (e vcs sabem) que no mundo todo há problemas terríveis de discriminação religiosa contra os gays, apedrejamento, enforcamento, decapitação, etc. A gente nunca vai conseguir reverter isso? É nessas horas que eu quero ir morar em San Francisco.


Lembro da excelente quinta e última temporada de "Queer As Folk", que falava basicamente desse assunto, dos héteros agredindo os gays. Uma frase de um dos personagens nunca me saiu da cabeça: “somos os novos judeus dentro de uma Alemanha Nazista”.

Por falar em Alemanha nazista e gays, recomendo o excelente filme “A Love to Hide”, que é francês e passou no Festival Mix Brasil há uns dois anos. Foi uma sessão concorrida na Casa de Cultura Laura Alvin. Lembro que todo mundo terminou a sessão chorando; não tinha como. O Tufvesson e o André Piva estavam lá e não foram exceção. O filme é bem pesado e mostra o que acontecia com os gays nos campos. Custa $ 24,99 na Amazon ou, se vc preferir comprar em reais, R$ 84,39 em até 3X na CD Point.

Veja também “Hate Crime”, que tá bem baratinho, $ 5,99. Fala de um casal gay feliz perseguido por...adivinhem: membros de uma igreja intolerante. E, claro, como diz o título, há um crime de ódio envolvido.





Eu sei que a gente não pode (bem, não deve) ser intolerante com o intolerante, mas a gente vai fazer o quê? Vamos ficar quietos e esperar esses religiosos extremistas acabarem com os direitos que conquistamos com décadas de sofrimento e sacrifícios? Vamos esperar que eles barrem leis como a da criminalização da homofobia?

O que a gente pode fazer pra impedir esses ataques a nós?

Ó Pai, perdoai-os....eles não sabem o que fazem.


Escrito por Diego Castro às 16h33 Comentários Envie

Post 18 - Tenha pena (e não raiva) da bicha má

02/06/2008

Quem nunca descobriu que o amigo ou colega era uma bicha má (que tinha diversas outras intenções com vc por trás das aparentes) que jogue suas mãos para o céu e agradeça. Pq, infelizmente, o meio gay é cheio delas. Fofocas, mentiras, intrigas, inveja, interesse puro; tudo parece rodear essas pessoas, que, veja só que coisa, não conseguem nem se entender como bichas más. Simplesmente não percebem (ou não assumem) que diversas de suas atitudes são questionáveis, que gente sai ferida dessas armações de vilãzinha de novela das oito e que cedo ou tarde, a máscara cai. Uns amigos chamam bichas assim de "Maligna", aquela personagem feminina vilã do desenho do He-man....Outros de "Rainha Má", da Branca de Neve...





Recentemente, descobri duas perto de mim. Uma eu considerava um bom amigo, aliás. Mas pensando friamente sobre o tema, descobri que por trás dessa “maldade” toda está um poço de insegurança e covardia. A pessoa não pode ser responsabilizada por ser insegura e covarde, o que ela não pode é usar essas deficiências pra sacanear ou prejudicar os outros. Essa bicha má que era meu amigo é desses exemplos de quem não se vê de frente em um espelho. Não tem culhão pra isso. Não entende que suas atitudes magoam os outros, só enxerga o que ela acha que é certo.É covarde. E olha que o cara é lindo fisicamente, sarado, daqueles de todo mundo olhar e querer “consumir’. (O que prova, na prática, que essa história de que quem é lindo não é inseguro é a maior balela...) Um amigo diz que a imensa maioria das barbies é insegura e que muitas delas são bichas más. Outro amigo já acha que quanto mais efeminado o cara, mais potencial pra bicha má ele tem. Não acho que devamos generalizar. As bichas más estão espalhadas em todo o lugar, em todos os nichos. E não são más 24 horas por dia; algumas vezes parecem ser legais, gente do bem.



Confesso que fiquei com raiva dessa bicha má que era meu amigo. Não sei na verdade se fiquei com raiva do cidadão por ele ser um duas-caras ou de mim por não ter percebido isso. Mas depois vi que a raiva não fazia bem nenhum a mim, e muito menos a ele. Ele precisava era se conhecer melhor, precisava de gente que conseguisse superar seus defeitos e o ajudasse a mudar. Porque as bichas más não querem ser bichas más. (pelo menos, acredito que não). Mas não sei. Como ariano que sou, não consigo deixar de lembrar as putarias que fizeram pra me sacanear. Eu perdôo, sim, mas se a bicha realmente demonstrar que está arrependida. E eu sei reconhecer quando o negócio é teatro e quando não é. Eu olho hoje pra essa bicha má que era meu amigo e não sinto mais raiva. Sinto pena, porque ela vai perder muitos outros amigos pelo caminho que genuinamente gostam dela. E depois ela se queixa que ninguém fala com ela. Que se sente só. Bom, eu fiz o que pude pra tentar ajudar. Até que cheguei no meu limite. Agora já estou preparado para a possibilidade de outras bichas más pela estrada. Estou “escolado”. Vamos ver no que vai dar.






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Eu vou mudar um pouco a estrutura do blog. Vou sempre falar de um tema principal, sim, mas vou também escrever coisas menores sobre outros assuntos bobos ou cotidianos, como a maioria dos blogs mesmo. Hummmm..o que tenho hoje?

- Como jornalista, me sinto extremamente agredido com essa notícia da tortura de colegas do jornal O Dia por policiais milicianos. Está em todos os veículos hoje. Será que vai dar em pizza? É por essas e outras que eu fico querendo trabalhar em outra coisa. Fora que qualquer um, mesmo sem registro ou diploma, se chama de jornalista hoje em dia. Publicou uma receita de bolo num blog e já acha que é jornalista. Escreveu uma crítica de cinema sobre O Homem de Ferro pra um site obscuro que ninguém conhece e já se acha jornalista. Aí aparece um monte de gente escrevendo merda (inclusive com erros de português gritantes) e depois ninguém entende como o setor é desrespeitado, desprestigiado. Já vi no mesmo texto coisas como “hipinose” e “professias”. Ser jornalista é algo de extrema responsabilidade. E dá trabalho.

- Como sempre, estou vendo diversas séries ao mesmo tempo. Na maioria estou bem atrasado em relação ao que todo mundo já viu. As exceções são LOST, GREY´S ANATOMY e NIP TUCK. Estou ainda na quarta temporada de SMALLVILLE e no meio da primeira de GOSSIP GIRL (que descobri ser uma febre entre os gays americanos, encomendei até a série de livros que deram origem à série). Ainda estou na segunda temporada de THE O.C., no meio da terceira da BATTLESTAR GALACTICA de 2004 e na primeira de STARGATE ATLANTIS e GHOST WHISPERER. Por outro lado, vejo várias séries que não saíram aqui, como SO NOTORIOUS (uma comédia com a Tori Spelling, a Donna de Barrados no Baile) e uma excelente que só teve 13 episódios, THE BLACK DONNELLYS, que tem simplesmente 85 críticas (de um total de 87) dando cinco estrelas (nota máxima) na Amazon. (fato que me levou a comprar, aproveitando uma promoção do box por 15 dólares. Não me arrependi.)







Ah, e vi tudo de LIPSTICK JUNGLE, que estava sendo chamado de novo Sex And The City. Sensacional mesmo, com Brooke Shields e um ator lindo de morrer, Robert Buckley, que faz um ajudante de fotografia, Kirby Atwood, alvo da paixão de uma das protagonistas. Veja dois minutos do cara, aqui. (Aos 17 segundos ele já tira a camisa...)





- Fiquei ausente esse tempo todo pq só agora consertei meu computador de casa. Precisei trocar quase tudo, placa-mãe, processador e memórias, as peças mais caras. Estava sentindo falta de escrever com paz e tranqüilidade.

- Quase não vou mais ao cinema, pq acho caro demais. Prefiro alugar alguma coisa (tem uma locadora enorme na mesma quadra onde moro) ou ver as milhares de séries que comprei, que ainda estão aqui em casa aguardando. OS SOPRANOS é uma que não comecei ainda. Nem OS GATÕES. Nem MEDIUM. Quero voltar a ver VERONICA MARS e MELROSE. Mas vi esse último Indiana Jones, pq esse é filme que tem ser visto no cinema. Valeu a pena. Só o final que achei meio Arquivo X.



- Pra matar a saudade de muita gente, um vídeo especial do YouTube, aqui nesse endereço. Não vou dizer o que é, não. É pra ser surpresa, mesmo. Só posso adiantar que tem a ver com o tema de hoje. :) Clique com o botão direito para abrir em outra aba ou página, sem sair do blog. Qualidade de áudio e vídeo excelentes. Tem 6 minutos, mas se estiver sem saco, veja só até fechar o primeiro minuto.



http://www.youtube.com/watch?v=ppHrQ9UEctI&feature=related.



- Há muitos anos que não saio direito na night, mas recentemente tenho ido ao Galeria, aqui no Rio. Neste último sábado, mal entrei e encontro um cara da academia com quem eu sempre quis ficar. Foi partir pro abraço. Ele era exatamente meu número. Pena q eu queria investir e ele não. Momentos diferentes de vida.

- Por falar em meu número, e o Jack de LOST, hein? O ator é o Matthew Fox, macho pra caralho; vai fazer 42 em 14 de julho. Veja aqui dois minutinhos dele sem camisa nessa quarta temporada da série.





Escrito por Diego Castro às 19h43 Comentários Envie

Post 17 - Tenha estas sensações

28/04/2008

A idéia do post de hoje é diferente. Ao invés de discorrer longamente sobre um tema, como faço sempre, vou propor um exercício de sensações baseado em dois clips, um do Robbie Williams e outro do Roxette. Os dois mostram situações similares em seus inícios (ambos os personagens – interpretados pelos cantores- acordando em suas camas pela manhã), mas o desenrolar das “histórias” de cada um deles é o que quero expor aqui. Por que isso? Porque principalmente a realidade do que é mostrado por Robbie Williams é muito comum no meio gay. Os vícios, infelizmente, são presentes senão em nossas vidas, nas vidas de pessoas que conhecemos (ou que vamos conhecer). Alcoolismo, drogas das mais diversas, putaria desenfreada, violência; tudo isso faz parte da noite de milhares de gays em todo o mundo. Veja o clip de Robbie acordando sem lembrar de porra nenhuma da noite anterior e andando pela casa tentando recordar o que aconteceu. Atente para o último minuto do vídeo, onde as imagens apresentam metáforas com insetos e animais muito pertinentes, denotando “sujeira”. O título da música, “Come Undone”, não poderia ser mais preciso: “se acabar”, “se destruir”. Na verdade, o tema de hoje do post é uma reflexão em vídeo sobre os excessos. E o cantor, que volta e meia tem episódios de depressão séria, “pensa em voz alta” nesse clip. Ele faz na letra do refrão uma menção discreta ao suicídio que este estilo de vida pode trazer (“eles estão vendendo lâminas de barbear e espelhos nas ruas!”)





Já o do Roxette mostra o oposto. Atente para o predomínio da cor branca (na cama, nos lençóis e nas cortinas, dando uma idéia de “limpeza” e noite bem-dormida) e para a ótima metáfora do café-da-manhã servido pela cantora, que dá nome à música “Milk, Toast and Honey” (Leite, Torrada e Mel). Veja também o mar e as paisagens como referências para uma vida equilibrada.



Quero deixar claro que não estou defendendo aqui uma vida espartana, pra ser vivida em reclusão dentro de um mosteiro, nem a abstinência. Fazer uma farra de vez em quando é ótimo. Quero pontuar sobre o excesso disso. Conheço gays que passam 10, 20, 30 anos vivendo dentro do clip do Robbie Williams em todos os finais de semana.





Bem, é isso. Veja os dois clips e me descreva o que achou deles. Detalhe importante: não é preciso entender o inglês do que é cantado. O que quero mostrar aparece nas imagens e na música em si. Se você entender a língua, é um bônus. Mas não precisa se prender nisso.















p.s. Parece que o vídeo do Roxette no YouTube não aparece aqui no blog com uma imagem por algum motivo. Mas é só clicar no botão de play para que comece a carregar. Caso alguém não consiga, o endereço direto dele no YouTube é http://www.youtube.com/watch?v=M_W2Eb0w2ng&feature=related


Escrito por Diego Castro às 15h46 Comentários Envie

Post 16 - Preconceito entre os gays: as barbies, os ursos, os afeminados, as mulheres, os mais velhos....

02/04/2008

Esse tema estava na lista há um tempo pra entrar aqui no blog. Desde aquele polêmico post sobre o corpão de verão. Alguns leitores entenderam que eu estava defendendo o estilo barbie de ser e rolou muita água nos comentários; a coisa derivou pra questão do preconceito de um grupo gay com outro. Eis aqui, afinal, um post específico sobre este tema.

Acho que nenhum filme foi mais feliz em abordar a questão do preconceito em termos gerais do que “Crash – No Limite”, que ganhou “Melhor Filme” no Oscar há pouco tempo. Se por um acaso ele tivesse concorrido em outro ano, “Brokeback Mountain” teria ganho a categoria na premiação. Mas “Crash” acabou levando, pq se “Brokeback” abordava maravilhosamente bem o preconceito com os gays, o outro falava de preconceito com 500 outras minorias. Quem não viu, recomendaria parar agora de ler este blog e ir alugar. Tem em qualquer locadora.

De qualquer maneira, o assunto aqui é gay. Curiosamente, para os héteros em geral, mesmo os mais esclarecidos, “gay é tudo igual”. Se for homem, gosta de homem, se for mulher, gosta de mulher e pronto. Eles não vêem as diversas tribos que existem em nosso meio. (“Nunca reparei nisso!”, me disseram vários, surpresos). Alguns (outros) héteros ainda classificam a gente baseados somente naqueles estereótipos batidos: se for homem, dá pinta e desmunheca, se for mulher, fala grosso e coça o saco. (No chat com o Marcelo do BBB, logo que ele saiu da casa, uma espectadora dizia por telefone que “de gay ele não tem nada”).

Bom, mas a gente que é gay sabe que existem as tais tribos e que, em geral, umas têm problemas ou diferenças com as outras. Acredito que não dá pra dizer qual grupo é mais “odiado” pelos demais, porque as emoções envolvidas na questão são sempre muito intensas, em todos os lados. São tantos os preconceitos no meio gay que é preciso fazer uma lista para enumerá-los:

- Barbies – São um dos grupos mais criticados, pq, dizem, se consideram o topo da cadeia alimentar. São acusados de serem fúteis, burros, narcisistas (e a imagem aqui no post de Narciso, que admirava a própria beleza, é por causa desse adjetivo), limitados e de só quererem saber de academia, tamanho de bíceps, tríceps, supino reto, voador, pulley e de ficarem bronzeados na praia. Quase faz parte do inconsciente coletivo (gay) a idéia de que barbies não lêem nada que não tenha a ver com forma física e que “não pensam”. São os que as mulheres héteros tendem a considerar “desperdício de homem”. Alguns membros do grupo me disseram que consideram todas as informações acima recalque puro e simples de quem tem inveja do corpo e da atenção que eles recebem.

- Afeminados – O principal “argumento” dos outros grupos contra este tem a ver com a suposta exposição desnecessária que eles provocam; e com o estereótipo barraqueiro-fofoqueiro-escandaloso. A frase “se eu quisesse comer alguém feminino, comia uma mulher e não uma bicha que se acha mulher” é muito ouvida. Alguns membros me contaram que consideram os que se incomodam igualmente recalcados, pois os afeminados atraem, segundo eles, mais homens machos/ativos/”héteros” que a imensa maioria dos outros grupos gays.

- Os mais velhos (ou cacuras – ou será kakura?) - Num mundo gay que prega a juventude e a beleza, envelhecer é o primeiro pecado da lista. Embora todo mundo vá passar por isso, muitos membros de outros grupos ignoram o fato e exteriorizam o preconceito contra os gays mais velhos de forma ostensiva com xingamentos e humilhações. São muitas vezes usados como “patrocinadores” de gays mais novos ou mesmo de michês (em inglês, os “sugar daddies”, que até o Will teve num episódio de “Will & Grace”).

- As mulheres (héteros) – As populares Fag-Hags são adoradas por muitos gays e odiadas por tantos outros. Muitos as consideram as melhores amigas do mundo, outros as consideram rivais na competição por homens e acreditam que elas não são dignas de confiança. Um dos principais problemas apontados é o fato de quererem se meter demais na vida dos amigos gays, inclusive “escolhendo” parceiros para eles. Mais uma frase dita por Will em “Will & Grace”, quando falava sobre o tema: “If the hag hates you, the fag ‘don´t’ date you” (“Se a amiga odeia você, a bicha não vai sair com você”). Outros gays que deram opinião sobre o tema acham que muito da homofobia vem de algumas mulheres héteros, que, segundo eles, não gostam de gays na área competindo pelo “pequeno número de homens que resta no mundo depois das guerras todas”.

- As mulheres (gays) - A eterna cisão entre homens gays e mulheres lésbicas começou na origem dos tempos. Há muitos (de AMBOS os lados) que consideram que os gêneros não conseguem conviver, exatamente pq eles só se interessam por homens e elas só por mulheres. Alguns gays as consideram grosseiras, machonas, violentas. Algumas lésbicas os consideram frescos, fracos, sensíveis demais e fúteis. Um leitor aqui do blog me disse que ele acha que só consegue ser amigo de lésbica o homem que for bem afeminado. Já meu amigo Marcelo me disse que odeia quando mulher “quer se meter a medir tamanho de pau com a gente”.

- Os mais novos – Embora haja gays que adoram os novinhos, outros detestam, considerando-os cansativos em sua inexperiência, imaturos, ingênuos demais, fantasiosos e dependentes emocionais e financeiros.

- Os ursos – Num mundo gay que preza a forma física, quem opta pelo outro lado é crucificado por sua escolha. Ursos são considerados por muitos gays como desleixados, preguiçosos, glutões, lentos (inclusive mentalmente) e acomodados, além de recalcados. São estereótipos tão fortes e errôneos quanto aquele que diz que as barbies não lêem e/ou não pensam.

- Os mais humildes – Como gay em geral não tem filhos ou família, supõe-se (pelo estereótipo) que ele precisa ter dinheiro (e ser consumista, ter o melhor carro, o melhor apartamento, o melhor celular, viajar para o exterior sempre, etc). Os que não têm condição financeira tranqüila que permita esses luxos ou que moram longe recebem apelidos como “bicha pão-com-ovo”. Outros ainda os confundem com as bichas quá-quá, que é mais um estereótipo atribuído também aos afeminados (segundo o dicionário Aurélia, “bicha que não tem classe e não sabe se comportar nos locais públicos”). Achei esse trecho aqui num blog, ao pesquisar sobre o tema: “Z. Norte (do Rio) é sinônimo de cafonas e bregas. Não sou eu quem inventou isso, mas é como rola na boca do povo da Z.Sul à Barra.” Nem queiram saber que outro blog é esse, pois ele pega local gay por local gay do Rio e vai detonando quase todos, com frases como “Tal lugar só tem drogados, barbies e caras mais velhos. Geralmente estão os mais drogados e rodados do Rio de Janeiro.” Ou “Já tal lugar só tem inúmeros michês, drogados, safados, uma galera mais Zona Norte. O outro peca pela freqüência de michês e pessoas sem classe e sem gosto.”.

Há muitos outros preconceitos no meio gay, não daria pra continuar listando um por um. Há aquele contra o gay que é na verdade bissexual e fica/transa com mulheres e há aquele contra os michês (ou contra quem paga pra transar com eles; tema, aliás, que um leitor sugeriu pra abordar aqui e o farei no futuro). Outro preconceito é contra os drogados, um outro é exclusivo dos homens que discrimina quem tem pau pequeno, outro contra quem é sadomasoquista ou fetichista, mais um contra quem tem tesão por trabalhadores como porteiros, pedreiros e seguranças, outro ainda contra quem faz pegação e sexo anônimo em locais públicos, mais um contra quem gosta de sexo grupal, outro contra quem tem HIV, outro com quem pratica o barebacking, outro contra quem chega aos 40 anos e ainda está no armário pra família e pro resto das pessoas, mais um (que me foi lembrado por um leitor agora, que comentou o último post) contra quem freqüenta o meio gay em oposição a quem não freqüenta, outro contra drag-queens, transformistas e travestis etc. A lista não tem fim. Nos vídeos de hoje, o trailer do filme “Crash” e o vídeo que ganhou o troféu Coelho de Prata no último Show do Gongo do Festival Mix Brasil do Rio, “A Drag a Gozar”, que mostra os mais diversos tipos do universo gay, muitos citados aqui.

Como disse um leitor aqui nos comentários do último post, infelizmente, é humano ter preconceito; é algo que se aprende como falar e andar; é instintivo. Concordo com ele. A sociedade é preconceituosa como um todo e pelo visto, não dá pra fugir disso, é cultural. A última cena de “Crash” (que, adivinhe, eu não vou dizer qual é) mostra como um grupo que sofre preconceito se pega agredindo o outro...com preconceito. O que não quer dizer que não devemos combatê-lo sempre que possível. Mas é como querer extinguir a fome e a violência do mundo.

Agora acho importante frisar que existe uma enorme diferença entre você ter dificuldade em lidar com determinado grupo de pessoas (por exemplo, gente mal-educada que fala gritando, gente grossa ou gente que simplesmente não cala a boca) e você querer que membros de tal grupo sofram, levem porrada na rua, morram assassinados/doentes ou simplesmente “não existam”.

Também acho importante destacar que existe gente muito hipócrita por aí. Já cansei de ver isso acontecer: pessoas que são rápidas no gatilho para apontar o dedo na cara do outro na frente da torcida do Flamengo chamando o outro de preconceituoso, disso ou daquilo e que não olham para si, não vêem que elas mesmas, que muitas vezes sofrem preconceito, também são agentes dele, também infligem seu preconceito a determinado(s) grupo(s). É gente que se acha santa, pura, virgem ou o que quer que seja. E que se ilude, se sentindo “no dever” de apontar o preconceito alheio “pelo bem da humanidade”. Fora que nessa leva entra também aquele povo paranóico ou apenas cego pela própria ignorância, que, coitados, além de covardes (nunca dão a cara a tapa), interpretam alguma coisa da forma que melhor lhes convém e começam a sessão “peraí, que putaria é essa?!”, loucos pra ver o circo pegar fogo. Terapia neles. (Mais um tema do futuro que falarei aqui, esse).

É isso. Acho que a gente tem que botar o pezinho no chão e parar de achar que está no País das Maravilhas, dividido entre os preconceituosos e os não-preconceituosos ou perfeitos/imunes/escolhidos por Deus.

Acorda, Alice.

p.s. Vou passar a numerar os posts; assim, quem está chegando agora ou ficou um tempo sem aparecer, saberá quantos já foram ao ar desde que o blog começou.

p.s.2 Viram que forma original de ilustrar as barbies com a pintura?








Escrito por Diego Castro às 18h16 Comentários Envie

Post 15 - E se o mundo fosse, de fato, gay? E se os héteros vivessem em guetos?

11/03/2008

Noutro dia, estava numa mesa com amigos refletindo sobre o percentual de gays no mundo. Mais especificamente, estávamos falando como há pouca gente no planeta que sente atração pelo sexo feminino. A conta que fizemos, assim, a grosso modo, levava em consideração, primeiro, o número arredondado de mulheres héteros no mundo, que é alto. (inclusive um grande jornal carioca fez há um tempo uma matéria dizendo que em todos os bairros do Rio – com exceção do Estácio – moram mais mulheres que homens). Depois, somávamos a esse número quantos gays deviam existir em toda a face da Terra. Resultado da conta: a maioria das pessoas gosta mesmo é de homem. Não havia um ali na mesa que conseguisse argumentar com a tortuosa conta que apresentamos.


Aí fiquei pensando como seria nossa vida se todo mundo que está dentro do armário hoje saísse dele. Todo mundo mesmo, homens casados, anônimos (policiais, militares, bombeiros, médicos, seguranças, etc.), famosos (atores, jogadores de futebol, políticos, cantores, jornalistas, etc.) Como seria se, numa fantasia, os héteros existissem em menor escala? Lembrei de um filme do John Travolta muito pouco conhecido e até fora de catálogo (está esgotado na Amazon), chamado “A Cor da Fúria (“White Man´s Burden), de 1995, alguém conhece? É um excelente drama que inverte os papéis raciais, colocando o homem branco como a grande vítima do sistema, e o negro como a classe privilegiada. Estendi o tema inicial (de todo gay enrustido sair do armário ao mesmo tempo) e fiquei imaginando como seria uma versão do mundo que invertesse os papéis sexuais, onde a reprodução fosse algo de laboratório somente, e onde os héteros sofressem a perseguição, a discriminação e a violência que sofremos na maior parte do planeta hoje. Onde os héteros não pudessem se casar, nem se beijar na boca na rua. Nem andar de mãos dadas. Onde não tivessem direitos de casal. Onde provocassem traumas em diversas famílias ao assumir sua heterossexualidade. Num mundo assim, numa fantasia dessas, todas as manifestações culturais refletiriam esse padrão, com a homossexualidade dominando o sistema. Filmes, músicas e até desenhos para crianças abordariam primordialmente relações gays entre seus personagens. Difícil imaginar?



Pois a série de vídeos que separei hoje vai ajudar na tarefa. São montagens feitas a partir dos produtos originais, criando versões gays extremamente críveis deles. (alguns vídeos são extremamente bem-feitos). Inspirei-me também para o tema desse post no comentadíssimo vídeo de resposta do comediante Jimmy Kimmel à sua namorada, em seu programa na TV americana. Explico: Sarah Silverman, que também é comediante, sentou-se no sofá do programa de Jimmy e mostrou a todos um vídeo onde cantava uma música em cuja letra confessava ao namorado que estava “fudendo com o Matt Damon” (chamava-se “I´m Fucking Matt Damon”, mesmo). E tem a participação do próprio ator. A resposta de Jimmy, algum tempo depois, em seu programa, não poderia ser melhor: ele também apresenta um vídeo, nos mesmos moldes do da namorada, intitulado “I´m Fucking Ben Affleck”. O mais hilário são as incontáveis participações especiais no vídeo, celebrando o “amor” de Jimmy e Ben: Brad Pitt, Cameron Diaz, Robin Williams, Lance Bass, Macy Gray, Huey Lewis, Dominic Monaghan e até o normalmente-sério Harrison Ford. Ficou imperdível e me fez pensar em como seria um mundo onde o amor de um ator famoso por um apresentador de TV fosse celebrado por todos, inclusive pelos amigos famosos de um e de outro. Hoje, portanto, o post é inteiramente calcado nos vídeos.


O primeiro é, claro, “I´m Fucking Ben Affleck”, em excelente qualidade (logo na abertura o apresentador Jimmy mostra um trecho do vídeo da namorada, para quem não tinha visto). Os seguintes se dividem em dois tipos: 1) os que foram baseados em montagens usando o áudio original do trailer de “Brokeback Mountain” e 2) cenas e falas reais da própria série ou filme, que, combinadas entre si e com o som de Brokeback atrás, dão o tom gay ao vídeo.


Temos pra todos os gostos: He-man apaixonado pelo Mentor, Harry Potter e aquele amigo ruivo, o Doutor House e um médico de seu staff (o ator Robert Sean Leonard), Marty McFly e Doc Brown, do filme “De Volta para o Futuro”, Keanu Reeves e Patrick Swayze em “Caçadores de Emoção”, o Capitão Kirk e Spock, em Jornada nas Estrelas, o Capitão Picard e um garoto de uns 18 anos em Jornada nas Estrelas – A Nova Geração, Christian Bale como Batman e seu fiel mordomo, Michael Caine em “Batman Begins”, Morgan Freeman e Tim Robbins como dois presidiários apaixonados em “Um Sonho de Liberdade”, o gostosíssimo Ryan e seu melhor amigo Seth em “The O.C.” e até C3PO e R2D2 em “Guerra nas Estrelas”. Dá pra se imaginar num mundo onde ser gay seja a norma e dá pra se divertir bastante vendo o resultado desses vídeos. Aproveitem aí e depois comentem. Abraços!

 

Ah, não esqueça: se vc entende inglês, veja como cada um dos vídeos tem frases sensacionais (e originais dos filmes!) que, montadas aqui, têm outra conotação! Como quando o Tim Robbins pergunta ao Morgan Freeman pq o chamam de "Red" (vermelho) e como quando um dos alunos mais velhos de Hogwarts fala de um banheiro do terceiro andar para o Harry Potter (fala que, aqui, adquiriu o ar de pegação descarada), por exemplo. Há muitas frases de duplo sentido nesses vídeos, eis um dos motivos pelos quais o resultado ficou tão engraçado.




























Escrito por Diego Castro às 17h43 Comentários Envie

Post 14 - Vampiros ! (sedutores, viris, carentes, gays assumidos ou não) Vc adora algum?

26/02/2008

Eu sempre tive o maior interesse por vampiros. Desde que me entendo por gente e desde antes de me entender como homem gay. Sei lá, o mito vampiresco sempre teve algo de sexual pra mim. Acho que homossexual mesmo, porque fiquei bem impressionado com o “Entrevista com o Vampiro”, adaptado pro cinema do livro da Anne Rice, em 1993, com o Tom Cruise, Brad Pitt e Antonio Banderas. Eu tinha 17 anos quando vi. Aquilo era gay demais; lembro com humor da saída da sessão; vários pitiboys com as namoradas tendo ataque no hall do cinema dizendo coisas como “Porra, vampiro viado era o que faltava, que merda” ou (essa foi ótima) “Se o Drácula visse isso, ia ficar puto”. Adorei o filme, comprei a trilha, li o livro e na época fiquei fisicamente todo igual ao personagem do Brad Pitt, Louis de Pointe du Lac, com as roupas (colete, camisas de manga comprida) e aquele cabelão liso, lindão, abaixo do ombro. Como eu era muito branco (praia nem pensar naquela época) e usava lente de contato (de grau) azul (que ficou bem natural, tipo Bruno Gagliasso mesmo, pq era uma lente caríssima importada), foi a glória quando ouvi de várias pessoas em momentos diferentes: “vc está me lembrando aquele vampiro do filme”. Intuitivamente, sem saber, eu estava era caracterizando um personagem e, tempos depois, já consciente de toda a construção de Louis que fiz em mim, fui atrás da carreira de ator, tirei registro profissional, etc. Fiquei mais de dez anos nessa, aprendendo muita coisa, conhecendo gente, e fazendo faculdade de jornalismo e depois de publicidade na UFRJ em paralelo.


Mas sinceramente? Eu sempre achei que o próprio filme “Entrevista com Vampiro” era uma metáfora do tornar-se gay. Quer ver? Embarque nessa viagem (hehehe). O personagem do Louis era casado com uma mulher e ele ia ser pai, só que a esposa morreu no parto. Logo, ele era hétero. Pra afundar as mágoas, se largou na bebida e queria morrer, ficou deprimido, até ser “atacado” pelo vampiro-claramente-atraído-por-ele Lestat, que o morde e depois aparece no quarto dele, prometendo um “mundo novo” mais feliz ao pobre hétero desiludido. O cara cai na lábia e bebe o líquido do Lestat, lá no meio de um parque escuro, no meio da madrugada, junto às lápides. (que pegação, né?). Louis começa a sugar e não pára, até que Lestat grita “É o suficiente” e cai, exausto. Louis muda e vira vampiro. Daí, diz ao entrevistador: “O mundo mudou, apesar de continuar o mesmo”. Ele é quem, na verdade, passava a ver tudo com outros olhos (e a gente não faz isso? Passa a perceber coisas que os héteros não percebem, em diversos lugares e situações?). Louis passa a ser branco como vampiro (vive na noite, na madruga, só se recolhe às 6h da manhã). Sua forma física e sua beleza permanecem inalteradas (e muitos gays se esforçam para não envelhecer e ficarem sempre lindos). Quando fica deprimido, lá pelo meio do filme, sai pra sugar o sangue de desconhecidos na rua e depois volta pra casa mais triste do que quando saiu e todo desarrumado (olha a pegação aí de novo). E quando Lestat apresenta Claudia a Louis e diz “Uma família feliz”? É o próprio casal gay com uma criança. Isso sem mencionar toda a parte da relação de Louis com a vampira-mirim, que é sempre platônica e nunca pode ser sexual. Ainda temos todo aquele climão com o Banderas no fim do filme, o ciúme dos outros que moram no Teatro dos Vampiros.....Eu acho que é tudo metafórico. Mas voltando ao tema do post...(e sem viagens...)


Tudo o que é de vampiro me atrai. Óbvio que alguns programas, filmes e livros mais que outros. Aquele “A Sombra do Vampiro”, com o John Malkovitch, por exemplo, achei chatíssimo.


Eu tinha até em casa uma daquelas enormes edições de “O Livro dos Vampiros - A Enciclopédia dos Mortos-Vivos”, mas acabei dando de presente pq quase nunca li, era mais pra ter para consulta mesmo, como toda enciclopédia. (Curiosamente, no verbete “homossexualidade”, cita que a manifestação cultural mais evidente da relação gay entre dois vampiros foi exatamente...”Entrevista com o Vampiro”, Lestat e Louis e etc. Logo depois, o livro acrescenta que nas obras de Anne Rice é esclarecido em determinado momento que vampiros não fazem sexo, que a área genital deles é atrofiada. Ah, não. Vamos imaginar que eles fazem muito sexo, sim. Mais que os mortais. Eu vou continuar nessa, hehe).


E como esquecer do sensualíssimo ator Chris Sarandon como aquele vizinho-vampiro-gostoso-e-que-mora-com-um-amigo-mortal no filme de 1985 “A Hora do Espanto”? Clássico das noites dos anos 80, o filme de terror vampiresco marcou época e tempos depois teve uma continuação, “A Hora do Espanto II” (sabiam?) que não teve o menor ibope. Será que é porque botaram como protagonista uma vampira (irmã do vampiro do filme original)? De qualquer forma, não colou. No primeiro “A Hora do Espanto”, apesar do vampirão e do “amigo” matarem mulheres e tal, havia o maior clima gay entre eles. Tem uma cena específica (está há 1h e 18 minutos no DVD) na qual o mortal expulsa o caça-vampiros mais velho da casa deles e pára na base da escada. A câmera então mostra o Chris Sarandon vindo lá de cima, e parando atrás do amigo, abraçando-o por trás e colocando seu queixo no braço que está no ombro desse ‘amigo’. Se essa cena não é gay, eu não sei de mais nada. (hehe)



E os “Garotos Perdidos”? (Esse tb vai ter uma continuação, sabiam? Está terminando de filmar agora e vai sair direto em DVD nos EUA). O que era o Jason Patric lindaço bebendo sangue no covil do Kiefer Sutherland, com aquele pôster imenso do Jim Morrison e aquele bando de outros vampiros? (e só tinham homens na gangue, praticamente, todos cabeludos, estilo rock, como era comum na juventude rebelde da época). A música “Cry Little Sister” marcou tudo mundo que assistiu ao filme. Poucas vezes escutei algo mais bonito e mais mobilizador que aquilo. É música pra botar no último volume em casa e manter todas as janelas do espaço inteiramente abertas, quando estiver aquela tempestade e aquela ventania. É apocalíptico.


Aí temos também Buffy e Angel. Confesso que sou mais ligado em vampiros homens, portanto, as cinco temporadas da série do Angel estarão em breve chegando lá em casa, numa caixa linda que tem a coleção toda. Buffy, apesar de ser caçadora e não vampira, nunca fez muito a minha praia. (Tá bom, na verdade, nunca assisti direito. É q eu fiquei puto de começar a ver a série, primeira temporada, episódio 1 e descobrir que havia um filme de longa-metragem feito antes, com outra atriz como o personagem, antes da Sarah Michelle Gellar. Aí, porque a porra do primeiro episódio da série da Buffy – que teve sete muito bem-sucedidas temporadas – foi fazer menção à acontecimentos passados no longa-metragem original, cismei de só seguir assistindo depois de ver o filme. Consegui, tá lá em casa, mas ainda não sentei pra ver pq tem um monte de outras coisas na frente. Alguém aí defende Buffy?)


Meu vampiro da vez, lindão, elegante, pedindo colo (cara de carente, mas ao mesmo tempo super viril) é Mick St. John, protagonista da série Moonlight, que estreou aqui pela Warner. A temporada só teve até agora 12 episódios por causa da greve dos roteiristas nos EUA, mas como o show foi escolhido como melhor nova série de drama pela premiação do People´s Choice Awards (que mostra a opinião do povão que assiste e que vota), terá mais quatro episódios exibidos nos EUA a partir de abril. Depois, dependendo da audiência, continua ou não numa segunda temporada. Acho que me ajuda a gostar da série o fato do ator Alex O´Loughlin ter a minha faixa etária. E particularmente adoro aquele corte de cabelo dele bem anos 80, com um mullet estilo MacGyver. (Vi cenas do ator de cabelo bem curto e definitivamente prefiro a versão no look anos 80 e vampiro). O cara não é aquela beldade de parar o trânsito, mas o ar de menino crescido dele me seduz. E ele ainda tem pêlo no peito na medida certa, na minha opinião.

 


Há ainda os vampiros de “Underworld” (na verdade, há lobisomens também nos dois filmes da série). Lindos, tristes, intensos, góticos e sedutores. Há também os da série “Blade – O Caça-Vampiros” (Nossa, eu simplesmente adoro o vilão do primeiro filme, um vampiro branquinho – claro- e de estatura baixa, porém mau-que-nem-pica-pau, o ator Stephen Dorff. Esse tb tem pêlos no peito.)



Para terminar essa homenagem aos vampiros, nada melhor que apresentar aqui no blog um bando de vampiros gays e assumidaços. Estão todos na série de TV “The Lair”, que saiu em DVD nos EUA. (Alguém conhece?). Não vá esperando grande coisa, a série é trash assumida; porém, é engraçada exatamente porque se pretende séria. É sobre um jornalista que se mete a querer investigar assassinatos que envolvem uma boate gay chamada “The Lair”...e daí vc imagina. Os atores são péssimos, a história é insossa, as locações são amadoras, tudo é ruim. Mas o trash é assim, e assim merece ser apreciado. Enquanto isso, fico com meu Mick St. John carente e solitário, precisando de colo.



p.s. O Chris Sarandon da “Hora do Espanto” foi casado com uma atriz chamada Susan, que herdou o sobrenome dele...todo mundo conhece Susan Sarandon, né? Já a atriz que fez a namorada de 'Charlie' assumiu-se como lésbica e o amigo apelidado de "Evil Ed" foi para o cinema pornô gay...


p.s 2. Nos vídeos de hoje temos um pouco de tudo: o primeiro é a música “Cry Little Sister” com cenas de “Os Garotos Perdidos”. (Dura 4:43) O segundo é um trecho de um minuto da série “The Lair” que mostra o estilo trash/gay/sexual da série (eu queria colocar a abertura, mas não achei). É curto, tem 1 minuto. O terceiro mostra o Lestat e o Louis, de “Entrevista com o Vampiro” com uma música chamada “If I Were Gay” de fundo. É perfeita porque encaixa tudo que é dito na letra com o que é visto, é bem engraçado. Tem 2:28. O quarto mostra ninguém menos que o meu vampiro predileto atual Mick St. John, quer dizer, o ator Alex O´Loughlin, numa edição sexy de seus filmes e séries, com “I´m Too Sexy” tocando de fundo. Tem 3:19. O quinto e último é uma cena de “Moonlight”, onde Mick St. John, vampiro moderno que dorme num freezer, é acordado por um amigo. Note que ele dorme pelado lá dentro e o amigo, tb vampiro, fica constrangido de olhar pra ele (leia-se, pro pau dele), enquanto ele não se cobrir, o que acaba fazendo. Dura 1:44. Enjoy. E me falem dos seus vampiros.

 

















Escrito por Diego Castro às 17h50 Comentários Envie

Post 13- As desvantagens de viajar com a melhor amiga hétero

13/02/2008

O post de hoje do blog ia ser outro. Já estava pronto, com vídeos do YouTube e tudo, pra entrar no ar. Mas chegou aqui no Rio afinal a JUNIOR #3 vermelha, e nela, um texto chamado “Thelma e Luiz – Nina Lemos elenca as vantagens de viajar com o amigo gay”. Fiquei meio chocado ao ler. Por diversas experiências próprias, tive que discordar de quase tudo o que Nina escreveu. Daí resolvi dar aqui no blog uma espécie de “direito de resposta”/ponto de vista de um homem gay (de um, não de todos); e ao mesmo tempo contar várias das situações de viagem que enfrentei ao lado de amigas héteros e que foram um porre. Eis então o porquê do título do post de hoje.


Não vou entrar no mérito sobre ter ou não grudada em vc uma fag-hag como a Grace do “Will & Grace”. O post ia ser gigante e, como não poderia deixar de ser, bem polêmico. Vou me ater ao tema da matéria da Nina, sobre as viagens.



Na hora de viajar, nada pior que uma amiga hétero ao lado. Venhamos e convenhamos. Em primeiro lugar, a gente não é carregador de hotel pra ficar carregando as malas da amiga pra cima e pra baixo. Conheço várias que levam mais malas e bolsas exatamente porque já se programam desde antes da viagem para alugar o amigo para carregar os trambolhos. Nós também não somos ajudantes de shopping center para ficar carregando (de novo) sacolas e sacolas de lojas em que a amiga entra e gasta, gasta, gasta. Aliás, eu, como homem gay, simplesmente detesto acompanhar mulher pra comprar em shopping ou em qualquer lugar, sou sempre muito objetivo nesse quesito “comprar”. Não gosto mesmo de passar três, quatro horas do meu dia andando pra cima e pra baixo e ficar vendo a amiga experimentar 38 blusas, 43 saias e 103 pares de sapatos antes de decidir qual vai levar. Ou pior: antes de decidir que volta daqui a três dias àquela(s) mesma (s) loja (s)“com mais calma”.


Se você vai viajar com uma amiga hétero, prepara-se para, muito provavelmente, ter que ficar grudado nela o tempo inteiro da viagem. São pouquíssimas as mulheres que vão deixar você fazer programas independentes e inteiramente masculinos/gays (enquanto elas fazem os delas). Ou seja: você vai ter que visitar aquela feirinha de artesanato chata, vai ter que parar em toda barraquinha de bijuteria que encontrarem e vai ter que, provavelmente, dormir e acordar cedo porque ela vai querer “aproveitar bem a manhã do dia seguinte”.


Outro ponto fundamental e importantíssimo para o homem gay: prepare-se para ficar na abstinência sexual mais completa e absoluta que você já experimentou. Mesmo que você ache milhares de caras interessantes e que eles estejam te dando o maior mole, a sua companheira de viagem não vai querer que você a deixe sozinha, principalmente se vcs estiverem em alguma festa ou evento. Também, na maioria das vezes, ela não vai querer voltar para o hotel sozinha e, se o fizer, você vai ter que aturar reclamações e reclamações no dia seguinte por horas. Isso se sua amiga não fizer coisa pior: ficar de cara amarrada o dia seguinte todo e quando você perguntar o que está acontecendo, ela responder um “nada”, que é pra você continuar insistindo. Porra, que saco.




Se a sua amiga se arrumar com alguém na viagem é ótimo, porque ela vai te dar um descanso. Agora se ela fizer a linha “eu vim só pelo passeio” ou “não estou disposta a ficar com um cara só por uns dias” (pq elas definitivamente não entendem a nossa pegação intensamente sexual masculina), se prepare que ela vai querer impor essas mesmas diretrizes como se fossem seus objetivos de viagem também, de uma maneira ou de outra.


E se vcs forem dividir a mesma cama e o mesmo banheiro no hotel? Prepare-se para demorar horas para sair em qualquer hora do dia (mesmo pra ir ao saguão) e para esperar horas para usar o banheiro. (mesmo que o que você vá fazer lá dentro demore 2,3 segundos).


Tem coisa pior do que você explicar dez vezes a mesma coisa no mapa pra amiga e ela não entender? Paciência, mesmo a de Jó, tem limite. Mas não é só isso que elas perguntam. Parece que dá um ataque de “perguntadeira doida” nelas que saem a perguntar até que horas são pra vc, mesmo tendo relógio no pulso. “É mais fácil perguntar do que procurar descobrir” me disse uma dessas amigas certa vez. E essa frase se aplica a tudo: “quando sai o vôo?” (e a passagem está na mesa entre nós dois), “qual o nome do gerente?” (quando está escrito “Renato” bem claro na roupa dele), “qual a programação pra amanhã?” (quando vc queria deixar as coisas rolarem, principalmente depois de ver o que a noite te reserva), “quem é que te ligou? Por que vc saiu?” (quando vc atende ao celular e sai do quarto para poder falar baixarias com alguns segundos de privacidade). Nem pense em conseguir fazer sua meditação diária em silêncio. Você vai se frustrar.


O que alguns homens gays (eu incluído) ganham ao levar uma amiga a tiracolo pra uma viagem é pouco, muito pouco, algo que é quase comprometedor do processo todo. Digo isso porque Nina cita em seu texto que a lista de vantagens para os meninos com a companhia feminina é infinita. Eu não poderia discordar mais, deu pra notar, não?


E vamos assumir: caso vc (o homem gay) fique doente ou febril na viagem (porra, que falta de sorte, hein), a melhor amiga até pode querer cuidar de vc no hotel, sim. Mas isso se ela não tiver nada melhor pra fazer ou algum lugar onde queira ir. (se por uma graça do divino ela tiver um plano de sair sozinha, sem vc). Porque se ela quiser estar em outro lugar, meu amigo... das duas, uma: ou ela vai fazer vc liberá-la fazendo com que vc se sinta culpado de prendê-la no hotel ou sim, vai ficar cuidando de vc....disfarçadamente emburrada e voltando àquele rol de respostinhas (“não é nada, não”) quando vc pergunta o porquê daquela cara dela. Isso se não se meter a querer culpar vc, ali na hora mesmo, por ficar doente “justo no dia em que a gente ia naquele restaurante”. (Como se alguém escolhesse quando fica mal. Essa é foda. E muito comum.)


A solução pra isso é: cara, cuide-se sozinho, como homem independente que (a maioria dos homens) é. Se vire, que rapidinho você vai estar de pé de novo pra aproveitar a balada e o melhor: sem ninguém pra jogar na sua cara (na própria viagem ou até anos depois) que perdeu “aquela noite ótima do dia tal porque ficou trancada no quarto por sua causa, cuidando de vc”. Alguém aí vai ter a coragem de me dizer que mulher não faz isso?


E que homem gay precisa de amiga-metida-a-personal-stylist em uma viagem? Homens héteros até entendo, porque diz o senso comum que eles não sabem se vestir. Mas homem gay, em geral, tem uma idéia muito clara da roupa que usa e do que quer alcançar com ela. Fora que somos MUITO mais básicos nisso que nossas amigas. O uniforme calça jeans e camiseta (pra uma grande maioria de gays) dispensa qualquer uma que queira nos dar opinião sobre roupa. Até porque muitas vezes, vamos assumir, a gente vai usando mesmo só a calça; a camisa já vai na mão (em eventos no calor, no carnaval, etc) pra já irmos exibindo o peitoral, o bíceps e o tríceps, e conhecendo caras pelo caminho.


De qualquer forma, da mesma maneira que o texto da Nina na JUNIOR #3 me pareceu, digamos, muito impreciso, o meu pode parecer também altamente questionável para várias pessoas. Outros podem concordar comigo e discordar dela. Mais alguns podem achar que eu e ela estamos certos apenas em determinados pontos. Ou que ambos estamos errados e generalistas demais. Volto a citar uma frase que já coloquei num post mais antigo aqui do blog: é impossível agradar a todo mundo. (Vamos falar de BBB 8 pra testar isso?)


Mas eis aí a importância de um debate e dos pontos de vista opostos. Quem quiser opinar, a arena está aberta.


Para desopilar, uma seleção de erros de gravação da quarta e da quinta temporadas de “Will & Grace”, extras que vêm sendo limados completamente das edições em DVD do seriado no Brasil, mas que aparecem em cada um dos boxes importados. (Lá acaba de ser lançada a sétima caixa, falta só uma para que a série esteja completa).

 

Meu erro de gravação predileto é no primeiro vídeo aqui abaixo, da quarta temporada, aos 5 minutos exatos de exibição, quando Jack fala sobre Karen para ela e para uma platéia sentada. Foi tão hilário que eles tentaram gravar 4 ou 5 vezes e não conseguiam parar de rir com as reações da atriz. Confira.






Escrito por Diego Castro às 23h32 Comentários Envie

Post 12- Heath Ledger estará sempre em Brokeback

23/01/2008


Sem palavras ao saber agora à noite da morte do Heath Ledger aos 28 anos. Não sei porque exatamente, mas a notícia pesou muito sobre mim. Acho que por causa de “Brokeback Mountain” mesmo, que me marcou, que me emociona até hoje e que sem Heath não seria a mesma coisa. Quando na tela grande vimos o relacionamento de dois homens tão belamente interpretado e tão mundialmente cultuado? O filme é chamado “épico” por muita gente e eu concordo. Foi preciso que dois atores héteros muito machos topassem encarar as cenas reais de um relacionamento gay intenso e apaixonado para que o filme tivesse alma. Alma essa que comoveu milhares de homens, fora e (principalmente) dentro do armário, no mundo todo. Como o filme mudou cabeças. Como o filme é único em tantos sentidos. Como o ator contribuiu intensamente com esse processo.

 

Heath estará sempre em Brokeback para nós.


Veja abaixo o lindíssimo vídeo que achei em homenagem ao amor entre dois homens mostrado no filme.





Escrito por Diego Castro às 01h16 Comentários Envie

Post 11 - Falta de educação, de respeito, de civilidade: todo mundo à beira de um ataque de nervos?

22/01/2008

Às vezes eu sinceramente acho que o mundo está perdido e estamos à beira de um apocalipse. (Olha o niilismo aí). Ou como diz meu amigo Marcelo, que a raça humana realmente deu errado (ele até usa uma metáfora forte pra isso, falando de sexo anal). As pessoas estão cada vez mais individualistas, egoístas, interesseiras e hesitando cada vez menos em pisar nos outros pra conseguir o que querem. E a falta de educação? E a completa falta de consideração com os outros? Um outro amigo diz que isso acontece mais no Brasil, que no exterior as pessoas são mais educadas, gentis e menos egoístas. Outro diz que o mundo sempre foi assim e que a diferença é que hoje as pessoas escondem menos essas características. Uma amiga diz ainda que tudo é questão de caráter: ou se tem ou não se tem. O fato é que existem atitudes que conseguem destruir uma relação.



Vou contar um dos milhares de casos aqui, só pro leitor ter uma idéia dos “amigos” e “amigas” que já tive ao longo da vida. Um cara que conheci era muito bem-sucedido em seu trabalho e ganhava bem. Tinha carro preto importado e gastava muito, sempre. Uma vez, depois de uma peça de teatro, fomos comer numa lanchonete em Copacabana que fica aberta 24h, e é pra onde se dirigem os que morrem de fome pela madrugada carioca. Havia uma placa enorme que dizia: “Por favor, pegue a ficha no caixa antes de consumir”. Assim o fiz, mas meu amigo, não. Chegou e foi pedindo um salgadinho, outro, um copo de suco, etc. Na hora de ir embora, ele foi saindo em direção ao carro. Eu perguntei: “vc já pagou?”. E ele, como se fosse a coisa mais normal do mundo, disse “não”. E continuava indo pegar o carro. Começamos a discutir. Eu questionava aquilo e ele dizia que cansou de fazer isso, de ir a um restaurante ou lanchonete, comer, levantar e ir embora sem pagar. Lembrei-o que alguém ia pagar o que ele não pagava, e que possivelmente era o cara do balcão que ganhava um salário miserável, enquanto ele estava ali dirigindo o importado dele. O cara então citou um colega nosso em comum dizendo que o fulano nunca pagava nada nesses locais. Respondi que isso não era argumento e que eu ia voltar à lanchonete e pagar os R$ 7 que ele consumiu. O cara começou a fazer um escândalo no meio da rua e gritar para que eu não fizesse isso. Depois de tantas outras que esse “amigo” aprontou, essa foi a gota d´água e a amizade acabou ali. Existem milhares de outros casos; e se eu fosse contá-los todos aqui com detalhes, este post não teria fim. Um cara que pegou HIV e passou a ter como diversão ir pra quartos escuros e pra pegação passar o vírus em relações sem camisinha de propósito, como ato de “rebeldia” ou “revolta”. Uma mulher que teve um filho por acidente com um cara de condição financeira um pouco inferior e que queria ir morar no exterior levando a criança, pouco se importando com a opinião paterna sobre o assunto. (além, claro, de humilhar o cara por ele não poder dar ao filho os presentes e itens caros que ela podia). Outra mulher que pediu emprestado um livro raríssimo de um amigo e tempos depois disse que o devolveu. O amigo estranhou a afirmação (que sabia não ser verdade) e um dia, esperando a amiga chegar em casa (a mãe dela abriu a porta e o convidou a entrar) achou seu livro escondido no quarto da “amiga” que, quando confrontada com o objeto, quis inverter a situação e esbravejou dizendo que ele vasculhou as coisas dela. Volto a dizer, não faltam casos (principalmente àqueles onde um cara trai o melhor amigo transando com o namorado desse amigo há um ano e meio escondido e casos similares). Os leitores certamente terão vários outros exemplos.


Onde isso vai parar? O “se dar bem” é melhor que tudo? É algo já parte da cultura brasileira? Tem algo em comum com o famoso “jeitinho”? Uma outra “amiga” define sua vida assim, mostrando os dedos das mãos: “Em primeiro lugar, eu. Em segundo, eu. Em terceiro, em quarto e em quinto, eu. No sexto, os outros”.


Não podemos esquecer ainda daquelas situações, infelizmente, já comuns, como a de quem não respeita, por exemplo, a fila nos caixas eletrônicos em banco e descaradamente passa a frente de todo mundo que está parado esperando, quem acende um cigarro num lugar onde é proibido fumar e reage com violência ou sarcasmo a quem reclama, dizendo algo como “e você vai fazer o quê?”, quem dedica tempo e esforço para prejudicar o outro no trabalho por inveja, quem humilha pessoas pobres que moram na rua, quem humilha intelectualmente pessoas mais humildes que não tiveram condições para a mesma oportunidade de aprendizado e quem maltrata ou tortura animais (um conhecido contou o caso de um amigo dele que achou um grupo de gatinhos filhotes e matou-os um por um porque gostou do som que eles emitiam quando tinham o pescoço quebrado. Há ainda o caso do gatinho deficiente - só tinha três patas - que morava no Jardim Botânico do Rio e que foi afogado num dos lagos do local, durante uma festa).


É só abrir os jornais pra ver mais e mais notícias de envolvendo falta de civilidade e violência. Viram essa semana o caso do cara que matou o outro com não-sei-quantos tiros porque esse outro pisou no pé dele? E os caras que queimaram o índio? E os outros que agrediram a empregada na Barra? E os milhares de crimes homofóbicos, covardes, de três, dez, vinte caras agredindo um gay só, muitas vezes bem magro? (sobre gay bashing e agressões falarei mais especificamente num post futuro). E o caso da menina lésbica de 15 anos, que, com a conivência da própria mãe e do irmão, foi estuprada por três amigos desse irmão (ao mesmo tempo) para que aprendesse a “gostar de pau”? O que esperar de uma sociedade assim? Alguém viu o filme clássico “Saló”?


“Chicago”, aquele musical com o Richard Gere, a Renée Zellwegger e a Catherine Zeta-Jones, teve um número deletado, que saiu como extra nos DVDs. A música se chama “Class” e se encaixa com o tema aqui do post, hoje. Uma pena é que a única versão do YouTube com as atrizes Catherine Zeta-Jones e Queen Latifah esteja com a sincronia do áudio e do vídeo errada em quase um segundo. Mas vale o leitor dar uma olhada por causa da música, sensacional, e da letra, mais brilhante ainda. Encare como se fosse um mp3, pra aproveitar apenas a música. Veja trechos do que é cantado: “O que aconteceu com negociações justas, com a pura ética e com as boas maneiras? Por que todo mundo agora é um pé no saco? O que aconteceu com a classe? O que aconteceu com o ‘por favor, eu posso’, com o ‘sim, obrigado’ e com o ‘que gentil’? Agora todo filho da puta é uma cobra que dá o bote quando se menos espera? O que aconteceu com a classe? Ah, não há mais cavalheiros para abrir as portas, não há mais damas agora, há apenas porcas e putas. Até as crianças irão derrubá-lo para que possam passar. Ninguém mais tem classe. O que aconteceu com os velhos valores? E com a moral? E com a boa educação? Agora ninguém nem mais diz "Ops..." quando estão soltando gases!...O que houve com a classe?”



Vou colocar aqui outra versão da música, cantada por Patti LaBelle (e filmada na Broadway, por um cara com uma câmera escondida), que está com a sincronia perfeita, para quem quiser conferir.



Existem pessoas que acham que não tem jeito, que o ser humano é assim mesmo, outros acham que se a escola e os pais tivessem o tempo e a disposição para formar e informar as crianças em sua época de aprendizado, o mundo seria outro. E vc, leitor, gostaria de expressar sua opinião sobre tema tão complexo?

 


Escrito por Diego Castro às 18h59 Comentários Envie

Post 10 - Você se valoriza o suficiente?

09/01/2008

Em toda a vida, não só nos começos de cada ano, temos que repensar relacionamentos dos mais diversos tipos que já não dão mais certo e aos quais ainda nos prendemos por um motivo ou outro. (sim, geralmente é culpa nossa continuar a arrastar essas correntes, ano após ano). Isso serve para todas as relações, as que duram mais tempo, as que duram menos tempo ou as que duram uma vida inteira. Traduzindo: namorados, amigos e família.

 

Não é que você vá sair por aí rompendo relações por qualquer coisa, não é isso que eu quero dizer. Estou falando de relações abusivas, onde a troca entre os dois lados já não tem mais um equilíbrio e onde, em geral, você acaba sempre se magoando, se agredindo, sendo agredido pelo outro e, mesmo assim, continua mantendo a relação, sabe-se lá por que motivo, consciente ou inconsciente.



O desequilíbrio é mais fácil de enxergar se você mantiver a coragem ao encarar esse exame. Não adianta fugir, dar uma melhorada nas aparências ou mesmo evitar tocar no assunto. Você pode fazer isso tudo, claro; mas só estará enganando a si mesmo.

 

Estou nesse processo com amigos e família. É doloroso porque dá a impressão de que perdemos (ainda) um enorme tempo com pessoas que não nos valorizam (mais) ou que, sabemos, não nos dão valor exatamente porque acham que nunca vão nos perder, que sempre estaremos ali ao lado, a um telefonema de distância.

 

Dos três vértices citados no começo do post, namorado, amigos e família, o desgaste no primeiro é o mais óbvio pra quase todo mundo quando acontece. Vc não tem mais vontade de estar junto, evita atender o celular, sente preguiça de conversar com a pessoa, a vida sexual fica uma merda e, principalmente, vc começa a olhar pra outros caras com intenções mais palpáveis e menos fantasiosas. Pra mim sempre funciona desse jeito: se eu começar a ter interesse por algum outro qualquer, meu namoro tem algo errado. Isso porque quando estou com a pessoa, ela me basta e todas as minhas fantasias sexuais/sádicas com os outros morrem. Pode aparecer o Ethan Hawke pelado na minha frente (ahhhhhhh...) que eu ignoro.



Andei tendo problemas de relacionamento com grandes amigos. Não falo daqueles de farra, porque esses nem tenho. Esses não são amigos por definição, são colegas pra zonear, pra sair junto, pra curtir uma night, pra brincar. Nunca pra falar sério, nunca pra te dar um conselho, nunca pra estar ali quando vc precisar. Eis porque é doloroso descobrir que seus amigos sérios, pessoas que você considera muito, passaram a não ter mais contigo a mesma consideração que você sempre teve com eles.

 

Fico além do magoado. Fico doente; e foi o que aconteceu nos primeiros dias do ano. Mas me conheço, sei como são meus sintomas. Uma vez que passei tão mal, que somatizei tanto, significa que, enfim, a situação acabou. Não tenho mais vontade de estar perto dessas pessoas. E já avisei nossos amigos em comum.

 

Com a família não é diferente: pus mais limites e já deixei claro que não vou tolerar ataques histéricos gratuitos nem humilhações pra cima de mim. Reforcei a idéia de que a pessoa tem que trabalhar os demônios dela e não jogá-los pra cima de mim, porque eu estou ali. Que estou presente para ajudar e não para ser alvo de questões mal-resolvidas que ela tenha com outros membros da família. Chega dessa história de que o filho gay tem que sofrer dentro de casa e carregar uma cruz (e olha q já saí de casa). Porra nenhuma. Quero ser respeitado como qualquer outro membro. E agora então, que lentamente a vida faz com que a família dependa mais de mim do que eu dela, as coisas vão definitivamente mudar. Uma pena que tantos filhos gays passem por isso. Na verdade, nem só a gente. Olha a Madonna com a música “Oh,Father” aí. A letra se encaixa em várias coisas que passam pela minha cabeça neste momento. O começo da música (“É engraçada essa forma como nos acostumamos às lágrimas e à dor.”) O refrão (“Você não pode me machucar agora. Eu fugi de você. Nunca pensei que faria isso. Você não pode me fazer chorar. Uma vez você teve esse poder. Eu nunca me senti tão bem sozinho”). O fim da música (“Se você nunca quis me machucar, por que estou indo embora? Talvez algum dia, quando eu olhar pra trás, serei capaz de dizer que você não queria ser cruel, alguém te machucou também”). Aliás, sobre valorização pessoal e orgulho de si mesmo, a Madonna fala o tempo todo, como em “Express Yourself” (“Você merece o melhor da vida, então se o momento não está certo, siga adiante. O segundo melhor nunca é o bastante, você ficará muito melhor sozinho”) e “You´ll See” (“Você acha que não posso viver sem seu amor...você vai ver. Inteiramente só. Eu não preciso de ninguém. Sei que vou sobreviver. Sei que vou ficar vivo. Você acha que é forte, mas você é fraco. É preciso mais força pra chorar, pra admitir a derrota”.) Veja o lindíssimo clip de “Oh, Father” aqui no post, agora:



É isso que queria transmitir neste post. A gente tem q se valorizar. Não aceitar ser sacaneado, humilhado, desconsiderado. E eu quero um romance bem "Antes do Amanhecer" e "Antes do Pôr-do-Sol", com o Ethan Hawke e tudo que eu tenho direito. hehe

 

Nesse espírito de renovação, de destruir o velho que não dá mais certo para que o novo possa surgir, esbarrei com um filme que muito me comoveu e que passa despercebido por grande parte das pessoas nas locadoras. Chama-se “Poder Além da Vida” (Peaceful Warrior), com Nick Nolte. É baseado num best-seller americano muito famoso, “Way of The Peaceful Warrior – A Book that Changes Lives” de Dan Millman (mesmo nome do protagonista do filme, visto que é uma biografia). O título original traduzido é “O Modo do Guerreiro Pacífico – Um Livro que Muda Vidas”. A história, sem revelar muito, é a de um ginasta que tem tudo; grana, um corpo em forma, muitos amigos e mulheres, talento reconhecido pelo treinador e pelos colegas. Seu único objetivo é representar os EUA nas Olimpíadas. Até que um dia um estranho num posto de gasolina manda a pergunta: e se vc não for aprovado nas eliminatórias e perder a chance de representar o país? Depois do choque dessa possibilidade, que nunca passou pela cabeça do atleta, começa uma viagem intensa de auto-descoberta e de luta com o próprio ego muito bem filmada e muito tocante. (A cena da destruição dos troféus ao som de uma música lenta é lindíssima). O final é arrebatador. Como sempre faço, fui pesquisar mais sobre o filme, o autor, e tudo. Descobri na Amazon que o filme é querido por 95% dos compradores e os 5% que não gostam tanto dizem que o livro é muito mais completo (pronto, já encomendei o livro e um outro, que acontece em paralelo com o primeiro. E comprei o filme também – num site de importados ótimo que recomendei ao Dick, leitor daqui do blog). Achei o trailer no YouTube e posto aqui. Mas aviso: o trailer mostra um acontecimento crucial do filme. Eu sinceramente acho que saber o que é mostrado nesses 2 minutos não destrói toda a maravilha que é a história. E o slogan, que é tão sucinto e diferente? “Por toda a sua vida, vc esteve esperando. Pare de esperar”. Recomendo.



 


Ainda na mesma linha de pensamento, um último vídeo no post de hoje. É uma música antiga, linda, do grupo Enigma e chama “Return To Innocence” (O Retorno à Inocência). O clip, através de um recurso de vídeo primário (que eu, claro, não vou dizer qual é, porque quero deixar todo mundo curioso pra assistir), consegue um efeito surpreendente. As imagens são tocantes e, junto com a letra da música, que também destaca a valorização pessoal, compõe um quadro capaz de emocionar os mais resistentes. (“Não tenha medo de ser fraco. Não seja tão orgulhoso de ser forte. Apenas olhe dentro de seu coração, meu amigo. Esse vai ser o retorno pra você mesmo. O retorno à inocência. Não se importe com o que os outros dizem, siga seu próprio caminho, não desista. Se você quer, então ria. Se precisar, então chore. Seja você mesmo, não se esconda. Apenas acredite no destino.”) No clip todo, fica aquela sensação de recomeçar, voltar ao início, de uma nova chance para fazer tudo diferente, de esperança renovada e de fé numa nova vida. A última cena do vídeo (que eu também não vou dizer qual é) me emociona horrores. Me digam os leitores aqui do blog se essa música e esse clip não lavam a alma.




Pra finalizar por hoje, o “segredo” (ou um segredo) explicado pela Madonna, na música de mesmo nome, “Secret”: “A felicidade está em suas próprias mãos. Demorei muito tempo para entender. Até eu aprender a amar a mim mesmo, eu nunca serei capaz de amar mais ninguém”. Deu pra sentir o clima?

 

p.s. Eu adoro o Ethan Hawke.


Escrito por Diego Castro às 18h05 Comentários Envie

Post 9: Idéias para um 2008 brilhante: primeiro, que tal NÃO meter o pé na jaca?

26/12/2007

Fim de ano é, como o carnaval, a oportunidade perfeita pra quem quer meter o pé na jaca. Encher a cara, se empanturrar de comida, ir dormir na manhã do dia primeiro, se acabar nos locais de pegação. Outra tradição da virada, essa mais comum a todo mundo, diz respeito às velhas “promessas de Ano Novo”: prometo que vou fazer uma atividade física, que vou dormir mais cedo pra acordar mais cedo e não ter que correr pro trabalho, que vou arrumar um namorado, que vou ser fiel à ele, que vou evitar as frituras, que vou investir melhor a minha grana, que vou ser mais paciente com todo mundo, que vou mudar de emprego, que vou isso e aquilo outro. Enfim, prometo que vou terminar 2008 bem diferente de como estou terminando 2007. Quase todo mundo se promete alguma coisa, né? Lembro uma vez que o Fantástico acompanhou diversas pessoas no fim de um ano; e as encontrou no fim do ano seguinte pra ver se elas mantiveram suas promessas. Menos de um terço manteve. (Teve uma garota debilóide que eu nunca vou esquecer: ela prometeu não falar tanto mal dos outros no ano seguinte. Não conseguiu e o argumento que deu à reportagem foi: “Não deu porque minha boca é nervosa.” É mole isso?)

 

 

 

Manter a promessa requer autodisciplina. Isso todo mundo queria ter, mas nem todos conseguem. Posso falar por experiência própria: sempre fui extremamente preguiçoso e desorganizado até os 30 anos de idade (Hoje tenho 31, faço 32 em março). Ou seja, disciplina próxima de zero. Mas me comprometi no fim de 2006 aqui na praia de Copacabana, em ser mais exigente comigo mesmo, a ter uma vontade de aço (porque “de aço” é melhor hoje em dia que “de ferro”, né não?). Chego no fim de 2007 muito satisfeito de ter conseguido grande parte. Óbvio, não deu pra virar o primor da organização, da falta de preguiça e da responsabilidade financeira, mas avancei muito nesses setores todos. Gostaria de desejar aos leitores essa idéia, para que em 2008 todos consigam ter a disciplina de mudarem aquilo que vocês mesmos acreditam/sabem que precisam mudar. Todo mundo sempre quer mudar em algo. Coisas difíceis e coisas fáceis, coisas sérias e outras mais cotidianas e bobas: largar velhos hábitos que fazem mal, terminar relacionamentos que se arrastam, cuidar melhor da saúde, parar de fumar, parar de beber, diminuir a pegação, virar menos a noite, dormir melhor, não deixar acumular louça na pia, etc.


Algo que sempre me ajuda nessa mudança de dezembro para janeiro é fazer aquela arrumação na casa: jogo muita coisa fora, muita mesmo, principalmente revistas velhas e papéis variados. Tb dou roupas que não uso mais. Dá um ar de renovação, mas sobre esse tema já falei num dos primeiros posts aqui do blog.


Nós, os homens gays, não temos uma vida fácil. Crescemos sem referências positivas gays e temos que ocultar nossa identidade sexual (que é algo que nos define como pessoa) da família, dos amigos e do pessoal do trabalho, na imensa maioria das vezes, para que possamos ser “aceitos”. Sofremos com vícios que, embora possam afetar todo mundo do planeta, têm especial peso sobre nós: a promiscuidade (a pegação), as drogas e o alcoolismo. Quem é que num Reveillon não gostaria de largar um (ou todos) desses vícios no ano que se inicia? Alguém pode me escrever dizendo: “ah, mas beber é tão bom, transar com todo mundo é tão bom,etc”. Sim, mas é exatamente o que eu desejo para cada leitor aqui do blog: espero que cada um tenha a responsabilidade de saber o que está causando a si mesmo. Depois não adianta vir culpar o meio gay, a mãe, o stress, a falta de dinheiro, o Lula ou o Papa. A gente tem que ter o culhão de se olhar no espelho e ver o que está fazendo consigo mesmo. Nessa hora, todo mundo precisa ser homem, ser muito macho. (e eu acredito que todo mundo tem essa coragem, mesmo que ela esteja num lugar lá no fundo).


Outro ponto que eu gostaria de transmitir como mensagem de fim de ano pro pessoal aqui do blog (esse também é difícil e precisa de um certo culhão): é importante saber, a cada momento, que a vida está passando, que o tempo está passando. Todo ano alguém sempre diz “nossa, mas o ano passou depressa!”. A vida inteira passa depressa. Sabe quando vc marca um compromisso e fica aquela impressão psicológica de que entre 13h e 14h o tempo demora a passar e entre 18h e 19h parece que o relógio voa? Pois acontece a mesma coisa com nossa idade: quando se tem 19, 20, 21 anos, os 30 parecem extremamente longínquos. Quando se tem 30, 31, o 40 já está bem ao lado, parece muito próximo. (pretendo falar mais da idade e do envelhecimento para o homem gay num post futuro).


Novamente, não adianta reclamar sobre o tempo que passou. Acabou, já era, foi-se. Não perca tempo se lamentando, se angustiando, ficando deprimido, se largando porque você tem determinada idade e não dá tempo mais pra fazer aquilo que você sonhou quando tinha 20 anos. Porra nenhuma. Isso é psicológico, há sempre tempo para realizarmos o que queremos; é preciso FÉ e DISCIPLINA. (e também fazer por onde, né? Não vá ficar sentado de boca aberta na frente da TV a vida toda e querer que Paris, Nova York ou aquele namorado maravilhoso e que te enche de carinho venham até você, não é? Pra achar o seu Louis de Pointe Du Lac todo Lestat de Lioncourt tem que sair da toca, provocar o encontro, a mudança) O universo conspira a seu favor – humm, essa frase é bem Paulo Coelho – e você atrai aquilo que vc mentaliza atrair – essa agora está “O Segredo” versão gay. hehe

 

 


Enfim, eu queria postar três vídeos do YouTube aqui para ilustrar metaforicamente meus desejos para o Ano Novo dos leitores:


Alguns falam da gente ter orgulho de ser o que somos. O primeiro é uma animação muito legal que meu amigo Daniel me enviou e que resolvi compartilhar com todos vcs. Dura só 3 minutos, e fala da vida de um homem gay desde a infância, passando pela adolescência, pela descoberta da sexualidade, pela primeira vez, pelo desencanto de ser usado como lixo em transas fúteis, pela violência física que muitas vezes sofremos e pelo final feliz que com certeza todos nós teremos. (tá vendo como sou otimista?) É um vídeo bastante positivo e é disso que todos nós, gays, precisamos nesse começo de ano: positividade em nossa vida, plena aceitação do que somos e do queremos. Temos cada vez mais que ter orgulho de nós mesmos.



o segundo é uma campanha da Levi´s, que foi feita numa versão hétero e numa versão gay. Essa aqui, claro, é a gay. Também quero mostrar com esse anúncio que o mundo todo (não só as grandes empresas) estão passando, mesmo que lentamente, a nos reconhecer como cidadãos e como pessoas iguais à todo mundo. É só a gente ver quantos países estão reconhecendo os direitos gays. Eu fiquei extremamente orgulhoso como consumidor e como homem gay de ver um comercial (de jeans, no caso), falando para mim, para a minha realidade. Sei que vão dizer que as empresas só querem saber de nosso dinheiro: eu acredito que é mais que isso; é um fenômeno antropológico e cultural de aceitação, mesmo que lenta. Chega de ter um bando de anúncio de cerveja, por exemplo, só mostrando mulher gostosa. (Gay não bebe cerveja, não?)




O terceiro e último é o q dura mais tempo, 8 minutos, mas é extremamente bem feito e vai agradar 99,9% dos leitores. É uma montagem de grande parte da carreira da Madonna, muito bem editada e com um remix de “Nobody Knows Me” ao fundo. Por que coloquei esse vídeo aqui, como indicado no post de Ano Novo? Porque ele tem tudo a ver com o que eu escrevo dessa vez. Gostaria que o vídeo fosse visto não apenas pela carreira dela e pela imagem, mas como uma metáfora da passagem do tempo, da disciplina e responsabilidade pra fazer as coisas. Alguém duvida que a Madonna é extremamente disciplinada e motivada? Gostaria que você, leitor, quando visualizasse as imagens desse vídeo, lembrasse também dos momentos de sua vida passando. O André Fischer, dono aqui do Mix, esteve recentemente dando uma palestra sobre a Madonna e falou muito da história dela ligada à dele; fez um paralelo entre o que ele estava fazendo na vida e o que a Madonna lançava. Eis o porquê do vídeo aqui. Queria que todo mundo fizesse esse exercício, que lembrasse dos empregos que teve, dos namorados, viagens, festas, bebedeiras, brincadeiras, descobertas, amizades, enfim, da vida passando. Que todo mundo se enxergasse na Madonna aqui, se projetasse nela como se o filme fosse o da sua vida. Daí, no fim, tem-se a sensação de como a vida passa depressa, e que temos que aproveitar o agora. Agir agora. Pensar no hoje e nos disciplinarmos para ter o amanhã que queremos. Existe alguém que aproveitou tão bem o seu tempo como a Madonna? Curioso é que a única parte onde ela fala algo nesse vídeo, logo no início, é num programa de TV no começo da carreira, no fim de 1983, onde o apresentador diz que faltam duas semanas para o Ano Novo (1984) e pergunta o que ela deseja não só para o próximo ano, mas para sua própria carreira. Ela diz: “Dominar o mundo”. E não é que a FDP conseguiu? ;-)




Bem, acho q já deixei claro o que desejo pro Reveillon, né? Queria terminar esse